
SEIS horas da tarde. Na repartição apenas o presidente. Getúlio Vargas levanta a bunda e peida. Respira fundo ao sentir o fedor que se alastra. “Nossa que fedo gostoso” diz.
(Papa – A barata que acabara de sair por trás da gaveta).
SELVA Africana. O vento suave leva a folha. A folha leva a formiga. A formiga leva em seu pensamento. Escritório da Wall Street o empresário e assassino Ronald Mac Donald´s leva a arma até a sua cabeça.
(Lua – a formiguinha que viaja com o vento. Ontem estava em Nova York. Hoje África).
PRESIDENTE Kennedy. A bala perfura seu cérebro. O sangue escorre. A multidão fica em silêncio. Patrícia a saliva ri.
(Netto – a águia fotografa com seu olho esquerdo. Do alto. Sorri. Continua sua viagem).
ALEMANHA. 1928. Hitler leva até a boca o copo. Água. A pequena baratinha conta que ele tem trinta dois dentes.
(Josefina – o bicho barbeiro que vivia no sapato. Era amigo da baratinha).
JAQUELINE. 8 anos. Favela 2+2+5. Amigo dos amigos. Salvador (BA). A rádio favela molhada anuncia mais um dia de festa. Os soldados do morro acompanham a movimentação. Nada de novo no front. Comanda o tráfico. Poucos sabiam.
(Lua – a pipa que observava do alto a movimentação).
RIO DE JANEIRO. Sol. Verão. Movimentação nos morros. O papa desce do seu avião particular. Uma bala de fuzil se aproxima de sua cabeça. No barraco da favela Canta galo. Mar diz: “apaga o homi”.
(Nanû – o cupim que residia em uma das tabuas do barraco. Observa e resmunga: “Hoje, vai ser rajada").
NOVA YORK. Flocos de neves. África. Calor. Brasil. Chuva. Chile. Nublado. Israel. Pedras. Roma. Noite. Alemanha. Frio. Afeganistão. Tempestade de poeira e vários países. Fim de ano. A morte resolve festejar o nascimento de sua filha.
(Artaud – o terceiro espermatozóide que também conseguiu entrar).
VÂNIA (ex- Maria fumaça), pelo menos na gravidez. Ao som de Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Conj. Época de ouro tocando Lamento. Ela se alimenta de fumaça quando beija seu companheiro que sai do banheiro coberto de cálice de fumaça.
(Lara – observa da placenta o toque suave de dois lábios).
SIM, confesso que mandei matar algumas pessoas para meu interesse próprio. Diz o dono da Shell. Então tu reza dois pai-nosso e uma ave-maria. Sim, confesso que contribui com a destruição das florestas. Diz Ronaldo Mc Donalds. Então tu reza um pai-nosso. Sim, confesso que mandei atirar nas crianças também. Diz Sharon. Então, tu reza dois pais-nossos e duas ave-marias. Sim, confesso... Noite fria. O papa recebeu vários assassinos. Ficou sozinho e disse a si mesmo. “Sim, confesso...” (Isnaldo – a traça escondida atrás da cortina do confessionário).
1945 – 22:00 horas. Silêncio percorre toda a cidade. Nauá a sua sombra atravessa a avenida Paulista. Nua. Na mão esquerda uma navalha pintava de vermelha. Lá. Atrás. Algumas ruas. Permanece inerte, sem nada. Algumas moscas. Nauá.
(Dedé – o piolho que presenciou o homicídio).
NOVA YORK. 12:00h. Do alto um pequeno pardal observa os bípedes seguindo caminhos incertos. Na calçada um bebê. 5 anos. Engatinha por entre os bípedes. Nos esgotos. Ladrão de corpos arrasta o corpo de Jorge W. Bush. No vaticano o papa diz: “Tem outro J.W.B. no estoque. Envia. Não esquece de enviar o dinheiro para o ladrão de corpos e diga que tenho outro serviço para ele”.
(Felix – a ratazana amiga e ajudante)
UM ÁTOMO. Um ácaro. Uma semente. Uma formiga. Uma plantinha. Uma pedra. Um barranco. Um bípede. Um “barraco”. Um telhado. Uma antena. Um edifício. Um bairro. Uma cidade. Várias cidades. Um estado. Um país. Um continente. Um planeta. Uma atmosfera. Uma lua. Um sol. Um clarão. Tudo virou particular no Universo. O que aconteceu com o barranco? Não sei. Só sei que o bípede mudou-se e levou o ácaro com ele.
(Andréia – a baratinha que conseguiu esconder-se dentro do livro “.O Vaticano” de Nanû da Silva).
CIDA. Vinte anos. Olhos azuis. Negra. Um metro e sessenta e sete. Banco do Brasil. 11 horas. O sol faz a cobertura. Poucos bípedes. “É um assalto porraaaaaaaaaaa” – grita. Todos no chão. Trummm, trummmmm. Derrama lágrimas a HK. 15 minutos. 14 milhões. Antonio Hermínio de Moraes. Sessenta e cinco anos. Olhos castanhos. Branco. Um metro e oitenta. Banco do Brasil. 11 horas. Nublado. Poucos bípedes. Deposita 14 milhões em sua conta. Lucro de um dia. Dois minutos. Taroba. 22 anos. Olhos castanhos. Negro. Um metro e setenta. Banco do Brasil. 11h05min. 280 reais. Saca seu pagamento de um mês carregando caixas de papéis. Cida. Vinte e dois aos. Olhos verdes. Negra. Um metro e sessenta e sete. Amamenta seu filho. Conheceu Taroba no banco.
( Demá – o pequeno bigato no vaso. Mesa do gerente)