
MONÓLOGO DA TELEVISÃO
No deserto de imagens
A sua,
é apenas uma miragem
(A.S. Neil – Morro da Navalha – conspirou uma biblioteca na viela três perto do bar do Tião).
MONÓLOGO DA ESCOLA
As ovelhas aprendem a cor da grade
O piso da jaula tem mais valor
As migalhas são exaltadas.
O sinal anuncia
Que mais um morto-vivo está pronto para consumir o prazer do valor
E não, o valor do prazer!
(Janusz Korczack – Só. Sozinho. Na quadra. Escola Malatesta. Onde a liberdade não se mendiga se conquista! Observa uma minúscula formiga entrar no vão da parede de cimento).
MONÓLOGO DA INTERNET
Cuidado
Estas
Sendo (Des)Conectado!!
(Lobo-da-tasmânia - Com a tecnologia uns ganham e outros perdem, mais os benefícios e as perdas não se repartem igualmente. Graças à moderna tecnologia quem controla o mundo, podem saber o que compramos, o que lemos, de que falamos, com quem, aonde vamos, o que fazemos, nossos amores, nossos ódios, nossos gostos, nossos movimentos etc..)
MONÓLOGO DO PENIS
Quieto
Por entre as pernas
Espera o toque sutil do desejo
(Elis. Telefonista. Pedagoga. Mulher. Um metro e sessenta e quatro de altura. Horóscopo: Calango. Acha que o mundo gira em torno de seu umbigo. Namorada. Trepa pouco. Regina. Computador no “trampo”. Escritora. Desenhista. Descobriu a fotografia. A antiarte. Knup. Apreciadora de pequenas florestas e pontes. Telefonou para Elis, avisando sobre uma sessão de filmes que ia rolar. O contato foi dado. Elis namora Antonio. Regina se relaciona com Nóbrega. (Nauá - Na última fila do cinema. Elis. Regina. Lambuzam-se em toques y cheiros. Os olhos grudado no filme. “Quanto vale ou é por quilo?)
MONÓLOGO DA VAGINA
Quieta
No meio das pernas
Espera o toque sutil do desejo
(Ana – realizou seu sonho de transar com Ono. Ambos lambuzaram-se em volúpias no trabalho. Em cima de mesa do chefe)
MONÓLOGO DO “TEMPO LIVRE”
A sirene anuncia que a jaula foi aberta
A hora certa
Marca a ampulheta
Que o tempo
Foi assassinado
O livre é apenas o tempo para voltar à jaula
(Dodô – ave – foi assassinada pelo tempo humano)
MONÓLOGO DA FELICIDADE
A triste seca de minhas lágrimas
Ao chão, felizes se lambuzam com as gotas do que cai em pé e corre deitada (?)
Ao ver-te brotando novamente
A flor que brota do asfalto frio
Diz-me que a felicidade
Hoje é apenas um produto que amanhã é lágrimas de outros
Ontem, foi apenas à busca constante
No futuro será apenas algo escrito e jamais entendido
A felicidade não é o estabelecido
(Brian A. Dominick – Descobriu que a sua felicidade só estará completa quando o humano deixar de ser apenas seu umbigo)
MONÓLOGO DO SOBRENOME
Sobre?
Ninguém!
Nome?
Nanû
(Coelho – Conhece todos da floresta. Sabe que todos são partes de um todo)
MONÓLOGO DO 1969. Sobrenome.
A partir dessa data
Desse número
Dessa estatística
Abolirei meu sobrenome
ABOLIREI-O E JOGAREI-O, LA NO LIXO DO CEMITÉRIO. LÁPIDE TRÊS DA RUA B SUB 27
Já estou cansado do ser e do ter.
ONDE ESCORRE COM A ÁGUA DA CHUVA QUE CARREGA TRAÇOS TATUADOS
DO RUBRO SANGUE QUE VIAJA.
NO PASSADO SANGRA UM BIPEDE. NA ESQUINA.
DOIS TIROS PERFURARAM A CARNE HUMANA.
Di hoje em diante chamar-me-ei Avles
AO INVEZ DE UMA JUNÇÃO IMPERFEITA QUE ME REGISTRARAM.
DE HOJE EM DIANTE TU É BOI!!
A liberdade acabou
Buscando os caminhos no meu abismo interior cobri e descobri QUE NÃO PASSOU... FICOU!!!
As experiências desse mundo mundano.
E COM CHEIROS que são trocados por padronizações ESTABELECIDOS
Que meu sobrenome não importava mais.
ABOLILO-EIO COMO ABOLI A VERDADE ABSOLUTA DA MINHA VIDA.
Como aboli os estereótipos padrões impostos por um ser especista
E que as estrelas não tem sobrenome.
E QUE AS FEZES QUE PERCORREM O INTESTINO E VAI ATÉ A PORTA DO ANUS NÃO TEM SOBRENOME Nome
Sobre nome
Nome Sobre
Ninguém
(Elefante. Formiga. Prego - Ao som da Desobediência Civil(México) - Três poesias em uma. Depois que você leu a poesias toda, volte e leia as que estão minúscula, depois volte e leia as que estão maiúscula.)
IDADISMO
Se eu tenho 22
Posso te dizer que sou mais responsável
Pois você tem dois.
Se eu tenho 22
Posso te dizer que sou mais responsável
Pois você tem 62
(Aul. 11 anos. Aral 1 anos e oito meses – “Não se poderá jamais aprender a viver se, antes, não se aprendeu a morrer, senão a nossa vida será só uma longa e terrificante espera da morte” – Marcello Bernardi)
O BOI
Rodeio. 20 horas. Pessoas gritando. Ele sem entender porque tantos gritos se a dor era dele. Depois na madrugada, quieto y cansado. Triste. Descobriu que não era a sua dor que todos gritavam e sim a dor do prazer em ver a dor de outro. (Bola – o galo que no quintal de dona Judith cisca calmamente e observa através da porta aberta uma máquina que transmite a imagem de um touro assassinando um parente de dona Judith. Bola ri e volta ao seu pequeno mundo – boicote rodeios).
MONÓLOGO DA FLORESTA AMAZÔNICA
Quanto vale Ou é por quilo?
(Nauá - L@ DESGRACIONNE - Banda formada em 1992 com a proposta de difusão da contracultura knup e da ideologia anarquista. Cauê (baixo e vocal). Cauê foi preso por dois anos por ter expropriado uma agencia bancaria. Morador da favela Dois Tiros. Tem dezenove anos. Escritor. Compositor. Vagabundo. Maconheiro. Nauá (Batera y vocal). Dona de casa. Médica. Knup. Atriz. Diretora. Escritora. Jornalista. Operadora de computador. Desenhista. Putoeta y vagabunda nas horas do tempo que quiser. Passou três anos na cadeia por expropriação bancária. A banda já gravou sua mais nova demo “Expropriar o Vaticano” e está para lançar um split LP com a banda DEUS É UMA MENTIRA da Alemanha.)

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